O piano As cordas do piano mergulham no silêncio. A casa está vazia, embora a luz do sol calada e cheia, a inunde. Mas à noite o silêncio começa a partir o piano, as teclas brancas e pretas, sob a lua, cuja luz entra por estas mesmas janelas. As ruas são negras, a paisagem é uma ausência de estrelas no próximo nordeste. Mas as tuas mãos moveram-se sobre este piano, tocando nas teclas, abrindo com este acto todos os silêncios que estão para vir. Maria Luísa Ramos

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O pensamento é um rosto de mulher à janela espreitando o movimento aparente das ruas. A minha janela está tão gasta! Silêncios de cenários coloridos ou acromáticos. Sinto um fim qualquer a dar um nó na garganta. Exalo presenças e ausências em todos os compartimentos da casa, e isso só me faz sentir mais depressão… incompreensão. Consciente ou inconscientemente, não quero; não percebo: Os abismos. Os vazios. Músicas tocadas em partituras sem claves de dó ou fá. Horas a escoarem-se nos relógios atrasados do Tempo. Olhando pela janela já gasta sem nada ver, Deixo palavras pinceladas em telas temporárias E vou com o vento, compreender o grito das gaivotas.

Mark Keller

AMERICAN GALLERY - 21st Century

Harmony In The Street

A Glass Of Blue

Bird And The Bovine

Song For Tiny Melvin And Roy

Give Her Another Hand

Rose

The Student

The Teacher

The Sommelier

Melody In Black And White

Bird Songs

Tango Players In La Boca

Dance With A Shadow

A Fowl Melody

Alone With A Song

Cello By A Window

September Song

Gypsy Rain

Girl On A Bed

Almost Ready

Dakota On The Stairs

The Melody Lingers

Echoes Of A Melody

A Glass Of Red

© Mark Keller

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«FOME»

Beatriz Hierro Lopes

A roda gira, penso. Subo as escadas de uma colmeia onde vivem inúmeras famílias. Cada pai, mãe e filho ou filhos, por quarto. As colmeias são prédios na maioria dos casos de traça oitocentistas cujos proprietários, possivelmente agora mortos, alugavam a jovens que entretanto envelheceram nas colmeias e tiveram filhos que se enrolam em bandeiras chinesas de Portugal. Numa casa de banho azul-escura ao lado da retrete uma roda de bicicleta abandonada dá conta da infância de alguém. Diz-se que as casas são as pessoas. Passo o corredor e sou atraída para a luz de lâmpada cujos fios, cabos e linhas oferecem um certificado de perigo eminente. Talvez seja eu um desses bichos nocturnos atraídos pela luminosidade baça das lâmpadas em choro. Recordo um homem que conheci na Ribeira. Uma conversa junto ao poço da Casa do Guerra Junqueiro. Contava-me que na sua meninice dormia com a mãe as irmãs…

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